Melbourne ao ar livre

22-03-2020

O meu segundo dia em Melbourne começou com… Um free walking tour, claro! Éramos poucos e deu para irmos conversando uns com os outros, mantendo as devidas distâncias. Pela primeira vez durante esta viagem, cruzei-me com uma turista portuguesa. Até este dia, já tinha ouvido falar português de Portugal em Singapura e em Cottesloe, mas ainda não tinha conhecido nenhum turista português.

O dia estava nublado e chuvoso, mas isso não me impediu de apreciar a street art omnipresente no centro da cidade.

Acabámos o tour no mesmo bar onde tinha estado na véspera – que coincidência! Almocei por lá e aproveitei a ligação à internet para perceber que atracções estariam abertas e actualizar-me relativamente aos dois grupos de WhatsApp de portugueses no estrangeiro.
Percebi que as únicas atracções cobertas ainda abertas eram o Sealife, o oceanário lá do sítio, e o Eureka Skydeck, um miradouro. Eureka seja! Como se trata de uma atracção muito popular, tratei logo de comprar o bilhete online.

Ainda abananada com a impossibilidade de visitar a maioria dos museus e monumentos de Melbourne, decidi caminhar em direcção aos bairros de Carlton e Fitzroy. Voltei a notar a mistura de arquitectura colonial e moderna que tinha visto em Perth e Adelaide.
Foi estranho sentir a cidade tão adormecida, possivelmente num misto de domingo e pandemia.

A minha caminhada sem rumo definido levou-me aos bonitos Carlton Gardens, onde aproveitei para dormir mais uma sesta, um clássico desta minha viagem.

Quando acordei, já sentia uma certa melancolia a apoderar-se de mim. Começava a fazer-me sentido antecipar o regresso a casa.

A gota de água veio pouco depois, quando parei num bistrô francês para comprar um crepe com Nutella, a ver se arrebitava. Não era permitido entrar no estabelecimento e o serviço era feito a um balcão colocado na porta. E o jovem dono do bistrô, um francês da minha idade que tinha emigrado para Melbourne meses antes, informou-me de que o chefe de governo do estado de Victoria tinha acabado de ordenar o encerramento de todos os cafés e restaurantes a partir das 20 horas do dia seguinte.

Sem museus, cafés ou restaurantes e com o número de casos de infecção pelo malévolo SARS-CoV-2 a aumentar exponencialmente, que estava eu a fazer na Austrália? Já estava quase decidida a regressar. Faltava só um bocadinho assim.

Pensei: que situação volátil! Horas antes, tinha adquirido o bilhete para o Eureka Skydeck e, agora, já estava a planear regressar a casa. Como esta atracção fechava às segundas-feiras, acelerei até lá, a ver se ainda assistia ao pôr-do-sol nas alturas. Consegui e adorei a experiência!
O Eureka Skydeck é um arranha-céus de 297 metros, com vistas panorâmicas sobre a cidade. Tive pena por ter tido esta experiência no início da minha estadia em Melbourne, pois ainda não conhecia a maioria das atracções observáveis. Mas as vistas eram magníficas.

Melbourne vista quase do céu, a partir do Eureka Skydeck.

Depois do pôr-do-sol, voltei para a zona do hostel. Tinha decidido: ia tentar comprar um voo de regresso a Portugal para terça-feira. Já não fazia sentido continuar a viagem.

Mas como já era hora de jantar, dirigi-me para um dos restaurantes do império Nando’s, o rei do frango de churrasco. Só para contrariar, pedi uma salada vegetariana.

A última ceia.

Com o estômago aconchegado, instalei-me no átrio do hostel e agarrei-me ao telemóvel, a pesquisar voos. O melhor voo partia no dia seguinte às 06h30. Depois de alguns minutos de hesitação, decidi: é este!
E tentei comprar o voo, várias vezes. Após inserir os dados do cartão bancário, recebia sempre uma mensagem de erro. Entretanto, o preço do voo subia. Ai ai ai!

Depois de numerosas tentativas, lá consegui reservar os voos pretendidos. Eram 23 horas e eu partiria no dia seguinte às 6 horas!
Tratei de reservar o autocarro para o aeroporto e conversei um pouco com as minhas companheiras de quarto, que ficaram chocadas quando lhes disse a minha idade: “33? O quê? Não pareces nada ter 33 anos!” Como se eu lhes tivesse dito que tinha 80 anos. Como eu costumo dizer: é dos cremes!

Reuni os meus pertences, tomei um duche e deitei-me para uma curta sesta nocturna. Senti que estava a fugir da minha querida Austrália.

Publicado por Halterofilista

Fiz um ano sabático e ocupei parte do meu tempo livre com uma viagem à Austrália.

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