Indo eu, indo eu, a caminho de Vi… Melbourne

21-03-2020

Bom dia Launceston! De mala feita, segui para o pequeno aeroporto local, que estava quase deserto. No controlo de segurança, uma das funcionárias empalideceu quando percebeu que eu era portuguesa / europeia. Tratei de a tranquilizar logo: eu já estava na Austrália há mais de um mês, não estava doente e não tinha contactado com ninguém doente.
Procurei manter-me afastada dos outros passageiros enquanto aguardava o embarque. Este decorreu como habitualmente: tudo ao molho e fé em Deus. Comecei a ficar preocupada – será que a Austrália ainda não se tinha apercebido da pandemia?
Ao chegar à minha fila, um dos meus vizinhos de assento resolveu meter conversa comigo quando eu ainda estava em pé no corredor. Perguntou alto e em bom som: “Então, és italiana?”. Respondi de forma a que outros passageiros pudessem ouvir, não fossem iniciar um motim e expulsar-me do avião: “Não! Sou portuguesa, mas não se preocupe, já estou na Austrália há mais de um mês e não tenho qualquer sintoma!”
Seria melhor inventar outra nacionalidade daí em diante?

Chegada a Melbourne, segui para o meu hostel de autocarro. Já há algum tempo que pensava se fazia sentido continuar a hospedar-me em camaratas, por causa da pandemia.
Mas tinha decidido aplicar a estratégia do livro “O Segredo”, de Rhonda Byrne: agir como se aquilo que almejo fosse realidade. Neste caso, como eu desejava continuar a viagem, agi como se tal fosse acontecer. Venceu a camarata e reservei 5 noites em Melbourne.

Olá Melbourne!

Na recepção do hostel, fiquei um pouco surpreendida por ninguém me ter perguntado a minha data de entrada no país. É que, desde o dia 16 de Março, quem chegava à Austrália era obrigado a cumprir 14 dias de isolamento. Isolamento esse que não poderia ser feito numa camarata de um hostel. Não gostei.

Depois de me instalar, saí para explorar a cidade. A minha primeira impressão de Melbourne não foi positiva. Achei a cidade muito movimentada e suja. Há que ver que eu tinha estado quase duas semanas na Tasmânia, que é uma paz de alma e onde as ruas estão limpíssimas. Já não via tantas pessoas juntas desde Singapura! Mas rapidamente me adaptei ao bulício melbourniano.

A bonita estação ferroviária de Flinders Street.

Passei à porta do Immigration Museum, um dos museus que queria visitar, mas estava fechado. Como não havia nenhum aviso visível, não percebi se o encerramento tinha que ver com a pandemia.
Segui para a imponente St Paul’s Cathedral, onde os visitantes eram obrigados a lavar as mãos com água corrente e sabão à entrada.

St Paul’s Cathedral.

Depois, passei pelo posto de turismo e levei com um balde de água fria: este havia encerrado na antevéspera. Caramba, isto estava a ficar mesmo mau, se já estavam a encerrar postos de turismo!
Engoli em seco e segui para Chinatown. A maioria do comércio estava aberta, mas o Museum of Chinese Australian History não. Soube no dia seguinte que vários negócios estavam encerrados há semanas pois os donos não tinham sido autorizados a entrar no país após viajarem para a China para celebrar o ano novo chinês. Disseram-me, também, que mais de 50% da população da cidade tem origem asiática, com predomínio de chineses e indianos! Sente-se e vê-se na cidade a presença forte destas culturas, o que é muito interessante.

Em Roma, sê romano. Desde há semanas que via pessoas na rua a beber os seus bubble tea, umas bebidas à base de chá e leite, com pérolas de tapioca, com um ar exótico. Tinha chegado a minha vez!

Bubble ao quadrado! Bubble tea e bubble waffle.

Reposta a glicemia, aproximei-me do rio. No caminho, passei pela bonita Federation Square. Mas tive mais uma má notícia: o centro cultural aborígene que queria visitar, o Koorie Heritage Trust, também estava encerrado.

Parte de Federation Square.

Atravessei a Princes Bridge, sobre o rio Yarra, e apaixonei-me por Melbourne. Que vista incrível!

Sobre a Princes Bridge.

Já do outro lado do rio, passei à porta da National Gallery of Victoria e (surpresa!) também estava fechada por tempo indeterminado.
Adorei a arquitectura dos edifícios desta zona, moderna e original. E tive direito a assistir à gravação de um videoclipe de uma banda talvez de K-pop (música pop sul-coreana).

Já de regresso ao hostel, usei a Sandridge Bridge para a travessar o rio. Esta antiga ponte ferroviária actualmente é pedonal e ciclável e está decorada com uma série de painéis sobre as nacionalidades de origem dos habitantes do estado de Victoria. Foi muito interessante saber de onde provêm estes australianos e perceber quais as maiores comunidades, quando chegaram e em que contexto.

Durante a tarde, tinha sido contactada por uma portuguesa que estava a morar em Melbourne. Combinámos tomar um copo ao início da noite num bar no centro. Consultei o meu fiel Google Maps, que me disse que estava a 20 minutos a pé do ponto de encontro. Perfeito!
Depois dos meus passeios, passei rapidamente pelo hostel para pegar num agasalho e – horror – descobri que estava a 40 minutos a pé do ponto de encontro! Eu claramente já não estava habituada a cidades grandes.
Avisei a Patrícia e tratei de perceber rapidamente como chegar ao bar de transportes públicos. Lá corri para o comboio e cheguei ao nosso ponto de encontro a horas minimamente decentes.

Soube bem ouvir e falar português e trocar impressões com alguém numa situação semelhante. Para já, o meu plano passava por continuar a explorar Melbourne.

Publicado por Halterofilista

Fiz um ano sabático e ocupei parte do meu tempo livre com uma viagem à Austrália.

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