O dia em que a porca torceu o rabo

19-03-2020 – Dia do Pai!

Bom dia Launceston! Acordei estremunhada: onde estava o meu bikini? O que uma pessoa pensa durante a noite. Percebi que o tinha deixado no hostel em Hobart, tal o meu estado de nervos na véspera. Algumas horas depois, o bikini estava são e salvo, a caminho do hostel que tinha reservado em Melbourne.

Depois deste stresse matinal, esperava-me um cruzeiro pelo bonito rio Tamar. Soube-me muito bem relaxar durante umas horas. O nosso guia e timoneiro era muito informativo e divertido, o que ajudou a apreciar ainda mais as paisagens, apesar do céu nublado.

De volta a terra, almocei a refeição mais deliciosa das últimas semanas: um hambúrguer vegan que ainda hoje me faz salivar. Acabei por não apreciar plenamente a refeição, dados os desenvolvimentos da situação pandémica.

A delícia do dia!

Sabia que os autores do blog Viajar entre Viagens estavam na Nova Zelândia. Da última vez que o tinha consultado, o casal parecia estar ainda em viagem, o que me deu alguma tranquilidade. Mas, neste dia, percebi que já estavam a caminho de Portugal! Pânico! Se até eles já estavam a regressar…

Percebi que tinham criado um grupo no Instagram para portugueses no estrangeiro que pretendessem regressar a Portugal, pelo que tratei logo de criar conta nesta rede (à qual sempre tinha resistido). Entretanto, o grupo passou para o WhatsApp e eu aderi logo. Bendita internet do restaurante!
Li com atenção a torrente de mensagens deste grupo. Apesar das novidades, eu ainda não estava com vontade de interromper a minha viagem. A minha única mensagem para o grupo nesse dia foi a perguntar se mais alguém estava ainda a pensar ficar pelo estrangeiro.
Entretanto, a minha irmã pôs-me em contacto com um casal de amigos que estavam a fazer uma volta ao mundo e tinham chegado, dias antes, à Austrália. Gostei de trocar impressões com eles. Sou uma pessoa indecisa e esta foi a única altura da viagem em que desejei ter companhia, para me ajudar a decidir como proceder.

Depois de umas boas horas agarrada ao telemóvel e ainda indecisa, senti que tinha de aproveitar o resto do dia. Segui para o Cataract Gorge Reserve, um parque muito bonito ainda dentro da cidade. Adorei estar no meio da natureza! Passeei muito, vi vários wallabies e pademelons e relaxei.

E tive direito a duas actividades semi-radicais: atravessar uma ponte suspensa e andar de teleférico.
A ponte foi peaners, o teleférico nem por isso. É que o Gorge Scenic Chairlift tinha um ar muito anos 50. Mas sendo a Austrália um país que parece obcecado com consequências legais de tudo e mais alguma coisa, pensei que se eles mantêm isto aberto, é porque será seguro. Apesar de não parecer! Mas sobrevivi e gostei de estar suspensa no ar.

A elegante e pouco assustadora Alexandra Suspension Bridge.
No Gorge Scenic Chairlift. Não olhes para baixo!

Mais relaxada, corri para o centro, para comprar um gorro e luvas, dos quais necessitaria no dia seguinte. O tempo que despendi no WhatsApp estava a fazer-me falta! Compras feitas, corri para o hostel, para me equipar para uma excursão nocturna.

Pouco preparei esta minha viagem, mas havia algumas coisas que eu sabia que queria fazer na Austrália. Para além de visitar a paradisíaca Rottnest Island, em Western Australia, queria ver pinguins na Tasmânia.
Fui apanhada no hostel pelo simpatiquíssimo guia e motorista David. O David foi a primeira pessoa que me perguntou se eu percebia bem inglês e que fez um esforço para falar mais devagar. Até agora, os guias com quem me cruzei sempre assumiram que todos os visitantes eram fluentes em inglês. Em boa verdade, na maioria das excursões em que participei, os viajantes eram australianos ou provenientes de um país anglófono. Seja como for, apreciei o cuidado do David.

Seguimos para o norte da Tasmânia, para a vila de Low Head. Durante a viagem, o David explicou-nos que esta seria uma das últimas excursões da temporada, dado que tinha vindo a receber numerosos pedidos de cancelamento e tendo em conta o plano do governo estadual de impor um período de isolamento de 14 dias a todos quantos chegassem à Tasmânia a partir de sábado.

Chegados a Low Head, aguardámos pelo pôr-do-sol para nos dirigirmos para a praia. Explicaram-nos que os pinguins passam o dia no mar e regressam a terra apenas ao anoitecer. São criaturas de hábitos e regressam sempre à mesma praia. São também medrosos e gregários, pelo que aguardam à beira-mar antes de arriscar caminhar em direcção aos seus abrigos. Aguardam em fila e, quando começam a ficar impacientes, empurram o primeiro pinguim da fila, para que ele dê início à deslocação em terra!
E nós pudemos assistir a isso mesmo. Estes pinguins são little penguins (espécie Eudyptula minor), como aqueles que vi em cativeiro em Penguin Island, em Western Australia, e são fofíssimos!

Pôr-do-sol em Low Head.
Dois pinguins (de costas)!
Mais um pinguim (de perfil)!

Estava muito entusiasmada com esta experiência e não fiquei desiludida. Apesar de, nesta noite, ter havido poucos animais a “desaguar” nesta praia, pude ver alguns pinguins a passar mesmo ao meu lado.

Regressei a Launceston de coração cheio, mas já com a nuvem da pandemia a pairar.

Publicado por Halterofilista

Fiz um ano sabático e ocupei parte do meu tempo livre com uma viagem à Austrália.

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