O meu primeiro dia em Coober Pedy

06-03-2020

Quando, na semana anterior a esta viagem, tirei uma manhã para definir o meu itinerário em South Australia, assinalei logo Coober Pedy como um dos locais a visitar. Trata-se de uma pequena cidade no deserto de South Australia, conhecida pela sua multiculturalidade, pelas minas de opalas e pelo facto de a maioria dos edifícios ter sido construída no subsolo, para escapar ao calor. Achei isto muito intrigante!

Tratei logo de pesquisar como lá chegar e percebi que havia um autocarro diário directo entre Adelaide e Coober Pedy – yay! O preço é que não era muito simpático. Felizmente, lembrei-me da dica que uma amiga me havia dado: quando os autores do blog Viajar entre Viagens estiveram na Austrália, compraram um passe para andar de autocarro pelo país. Depois de alguma indecisão, comprei um passe de 90 dias. De notar que o preço da viagem de ida e volta para Coober Pedy é superior a metade do preço do passe de 90 dias!
Depois, tratei de fazer uma reserva num hostel com quartos subterrâneos. E, depois das minhas experiências aquando das excursões à Wave Rock e ao Pinnacles Desert, comprei uma rede mosquiteira para a cabeça, para não correr o risco de comer moscas!

Equipadíssima, passei por um supermercado para comprar mantimentos e apresentei-me na central rodoviária de Adelaide, pronta para uma viagem nocturna de 11 horas. Acho que a viagem de autocarro mais longa que já terei feito terá sido de Burgos para o Porto (durou cerca de 7 horas), quando eu era jovem e adormecia em qualquer local.

Chegámos a Coober Pedy pouco depois das 5 horas da manhã e lá me arrastei até ao alojamento. Fizeram o check-in comigo mais quatro companheiros de viagem. Fomos recebidos pelo dono (gerente?) do hostel e motel, uma autêntica personagem: recebeu-nos em camisa e cuecas, quase me insultou quando lhe mostrei o meu passaporte (“Eu não sou a polícia!”) e ralhou-me por ter feito reserva para duas noites (como cheguei às 5 da manhã e queria ir dormir mal chegasse, não pensei que me deixariam fazê-lo sem reservar a noite anterior) e tê-lo feito através da plataforma Booking em vez de reservar directamente com o hostel. Mas conseguiu ser simpático durante o processo.

O hostel era tal como o tinha imaginado: simples e poeirento, mas cheio de carácter! Deitei-me, pensando que acordaria 2-3 horas depois, mas qual quê! Acordei com o despertador às 11h30! Como o quarto era subterrâneo, não entrava qualquer raio de sol.
Comecei a minha visita no museu e mina Old Timers Mine, no qual fui introduzida à história mineira da cidade. Em 1915, foi descoberta por acaso no local onde agora é Coober Pedy, a maior jazida de opalas do mundo. Tal atraiu mineiros de todo o mundo, na esperança de enriquecerem.

Almocei no café do supermercado local. Enquanto almoçava, fui abordada por um funcionário que me pediu para ser fotografada junto a umas bolachas com ar delicioso e hipercalórico, para uma publicação na página de Facebook do supermercado. Já sou VIP em Coober Pedy!

Mural na fachada lateral do supermercado onde almocei.

A minha paragem seguinte foi o Umoona Opal Mine & Museum, onde visitei as exposições sobre o povo aborígene local, a geologia da zona e os fósseis que têm sido encontrados na região. Durante a visita, entusiasmei-me e comprei uns brincos com lascas de opalas, como souvenir de Coober Pedy.

Depois, passeei pelo centro da vila e entrei numa loja de opalas (há lojas porta sim – porta não), que pertence a uma família grega que chegou a Coober Pedy nos anos 70 para uma estadia curta e por lá ficaram até hoje. Soube por essa senhora que chegou a haver duas portuguesas em Coober Pedy!

A rua principal de Coober Pedy.

Ao final da tarde, embarquei numa excursão até ao Kanku-Breakaways Conservation Park, a cerca de 35 km a norte de Coober Pedy, para apreciar a paisagem desértica, a Dingo Fence e ver o pôr-do-sol.
Adorei esta excursão! O guia era outra personagem (fartou-se de gozar comigo por eu tirar muitas fotos – mas como não, se a paisagem era incrível?), mas deu-nos imensa informação. A Dingo Fence é uma vedação erigida nos anos 1880 para proteger o gado ovino dos dingos, os cães australianos nativos. Esta vedação tem mais de 5000 km e todos os meses é objecto de reparações!
Já em Western Australia, na excursão à Wave Rock, passámos por uma vedação semelhante, mas essa protegia Western Australia dos coelhos. Sim, esses bichinhos amorosos são considerados uma praga em partes da Austrália.

A Dingo Fence nos arredores de Coober Pedy.

Nesta zona do deserto, a colinas têm formas e cores variadas e algumas parecem ter formas reconhecíveis. Havia uma parecida com um camelo! As paisagens eram incríveis e a vastidão do deserto era esmagadora.

Mais uma paisagem de cortar a respiração no Kanku-Breakaways Conservation Park.

Na parte final da excursão, assistimos ao pôr-do-sol. E que pôr-do-sol! Céu completamente limpo, cores lindas! Ficámos todos em silêncio, tal a beleza do momento.

Aspecto do pôr-do-sol no Kanku-Breakaways Conservation Park.
Outro aspecto do pôr-do-sol no Kanku-Breakaways Conservation Park.

No regresso a Coober Pedy, parámos para espreitar o céu: a lua e as estrelas brilhavam tanto! Regressei ao hostel completamente rendida a esta terra tão peculiar e à beleza do deserto.

Publicado por Halterofilista

Fiz um ano sabático e ocupei parte do meu tempo livre com uma viagem à Austrália.

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