O meu segundo dia em Coober Pedy

07-03-2020

Depois de mais uma noite mal dormida, avancei novamente para as ruas semi-desertas de Coober Pedy. De facto, esta cidade parecia fantasma. Era raro cruzar-me com alguém na rua.
Explicaram-me que a época alta começa por altura da Páscoa, quando as temperaturas arrefecem e os habitantes regressam de Adelaide ou outras localidades costeiras onde se refugiam durante os meses de maior calor.

A minha primeira paragem foi a Faye’s Underground House, uma moradia subterrânea escavada por Faye Nayler e duas amigas nos anos 60. Actualmente, a casa pertence a um casal sénior, que estava prestes a partir para o seu fim-de-semana prolongado (a segunda-feira dia 9 de Março foi feriado no estado de South Australia). Por sorte, ainda os apanhei em casa e pude visitar as divisões abertas ao público. É incrível como aquelas mulheres conseguiram escavar e construir com a próprias mãos uma vivenda espaçosa, que até tem piscina interior!
Notei que a paredes da vivenda eram parecidas com as do meu hostel e esfarelavam, criando uma fina camada de pó em alguns locais. Mas até achei que a casa estava desempoeirada, tendo em conta o material das paredes. Disse-me o dono que aspiram a vivenda todos os dias – pudera!

Terminada a visita, o Senhor ofereceu-me boleia até ao centro da vila. Nestas situações, costumo confiar nos meus instintos e, até ao momento, tem corrido bem. Mas pergunto-me sempre se será desta que serei raptada e/ou regressarei a casa com menos um rim.

Cheguei sã, salva e com dois rins à minha paragem seguinte: Josephine’s Gallery & Kangaroo Orphanage. Jo e o marido Terry têm uma galeria de arte aborígene (tive de me controlar para não comprar nenhuma tela, de tão bonitas que eram as obras em exibição) e, em paralelo, cuidam de animais selvagens feridos, nomeadamente cangurus. Duas vez por dia, deixam o público assistir a uma das refeições dos cangurus. E lá estava eu na primeira fila!
Este casal é mesmo especial! A certa altura, chegaram a ter 13 crias (na Austrália, chamam-lhes joey), que tinham de ser alimentadas e limpas a cada 3-4 horas! Eles faziam turnos e chegaram a ter a ajuda de uma voluntária, mas não creio que tenham dormido muito nessa fase. Actualmente, acolhem três cangurus (canguruas?) adultas, duas juvenis muito brincalhonas e dois joeys. Estes estão acomodados em bolsas tipo carteira de senhora, embrulhados em cobertores, para mimetizar o marsúpio materno.
Demos de comer às cangurus mais velhas e vimos o Terry a dar um biberão de fórmula de leite para cangurus a um dos joeys. Que amor! Ainda não tinha visto nenhum joey e fiquei encantada!
A Jo e o Terry são incríveis! Fazem tudo isto sozinhos, para além do seu trabalho na galeria de arte, e do seu bolso, pois não recebem qualquer apoio governamental. E estas vistas são gratuitas, eles só pedem uma doação.
E vê-se que os cangurus os adoram. Comportam-se como cães domésticos com a Jo e o Terry – saltam-lhes para cima, lambem-nos, respondem à chamada! Nunca tinha visto tal coisa.

Depois do almoço, visitei o museu do hotel mais chique de Coober Pedy. Mais uma exposição muito interessante! Nesta fase, já sou uma expert em história de Coober Pedy e mineração de opalas. Depois, dei um salto à igreja católica local, St Peter & Paul Catholic Church, que é subterrânea.

Fachada da subterrânea St Peter & Paul Catholic Church.

A seguir, regressei ao Umoona Opal Mine & Museum, onde visitei finalmente uma reprodução de uma vivenda subterrânea moderna. Tal como suspeitava, nas vivendas modernas, aplicam uma espécie de verniz sobre as paredes e tecto, para não esfarelarem – assim sim!

Reprodução de uma sala de estar no Umoona Opal Mine & Museum.

Antes de apanhar o autocarro de regresso a Adelaide, ainda tive tempo de subir ao miradouro The Big Winch, para apreciar vistas de 360 graus sobre a vila. Deve ser um óptimo local para assistir ao pôr-do-sol (mas, a essa hora, eu já tinha de estar perto to terminal rodoviário).

A minha penúltima paragem em Coober Pedy foi o edifício Spaceship, construído em forma de nave espacial por um grupo de amigos, para ser uma man cave. Entretanto, não terão conseguido angariar dinheiro suficiente com a mineração de opalas e o edifício, inacabado, está abandonado e estará à venda.

O estranho edifício Spaceship.

Antes do regresso a Adelaide, jantei no restaurante que o guia Lonely Planet considera o melhor de Coober Pedy – o restaurante de uma bomba de gasolina! É mesmo à Coober Pedy!

Restaurante à vista!

De estômago aconchegado, entrei num autocarro para mais 11 horas de viagem pela Stuart Highway. Queridos australianos, isto não é uma auto-estrada, é uma estrada nacional! Durante o caminho, ainda vi cangurus a atravessar a estrada, antes de adormecer – yey!

Fiquei encantada com esta minha segunda incursão no outback australiano. Mal posso esperar por regressar, assim que o Senhor Corona o permita.

Publicado por Halterofilista

Fiz um ano sabático e ocupei parte do meu tempo livre com uma viagem à Austrália.

2 opiniões sobre “O meu segundo dia em Coober Pedy

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