Surfando a Wave Rock

23-02-2020

No domingo dia 23 de Fevereiro, participei na minha primeira excursão na Austrália. Estava na hora de experienciar o interior australiano, o chamado outback. A excursão tinha como destino Wave Rock.

A primeira paragem foi a cidade de York, cuja rua central está ladeada por bonitos edifícios de traça colonial.

Humor australiano em York.

A seguir, parámos no cemitério canino de Corrigin. Foi interessante ver as campas, algumas muito elaboradas. E pareceu-me ver por lá uma campa humana (o que achei um pouco sinistro).

A última paragem da manhã foi em Hippo’s Yawn, uma formação rochosa que se assemelha à cabeça de um hipopótamo bocejante.

A formação rochosa Hippo’s Yawn.

A seguir ao almoço, demos um salto a um parque de vida selvagem fracote, mas onde vi um canguru e um emu (a versão australiana das avestruzes) pela primeira vez! E assisti a um episódio caricato e ilustrativo do sentido de humor australiano. Nesse parque, os animais estavam em recintos rodeados por cercas. Uma dessas cercas tinha uma porta, onde estava afixada uma placa a convidar os visitantes a entrar. Desconfiei e segui em frente. Mas uma dupla de turistas sul-coreanas do meu grupo arriscou. Mal elas entraram no recinto, veio o emu residente a correr na direcção delas! Elas gritaram altíssimo e, com a atrapalhação, nem conseguiam abrir a porta! O emu parecia surpreendido com a gritaria. Eu queria ajudar, mas congelei. Mas elas lá conseguiram abrir a porta e demos uma boa risada juntas.

Depois deste pico de adrenalina, seguimos para Mulka’s Cave, uma gruta associada a uma lenda aborígene muito interessante. Reza esta lenda que dois aborígenes de tribos entre as quais não era suposto haver uniões ter-se-ão apaixonado e tido um filho, Mulka. Como era fruto de um amor proibido, Mulka nasceu estrábico e gigante e foi ostracizado e exilado numa gruta (a actual Mulka’s Cave). Mulka tornou-se canibal e comia as crianças que se aproximassem da sua gruta. A sua mãe censurou-o pelo seu comportamento e Mulka assassinou-a. Os aldeões perseguiram-no e mataram-no, tendo deixado o cadáver exposto, para servir de aviso a outros infractores.
Junto à gruta, era explicado que os povos aborígenes têm uma rica tradição oral de storytelling. Esta história teria como objectivos reforçar a importância de não ter relacionamentos fora dos grupos estabelecidos (sob pena de os frutos desses relacionamentos terem malformações e/ou comportamentos desviantes) e explicar às crianças que não se devem afastar dos adultos (caso contrário, poderão ser atacadas).

Depois da gruta, chegámos finalmente à famosa Wave Rock. Não desapontou! Trata-se de uma formação rochosa esculpida pela natureza com cerca de 15 metros de altura e 110 metros de comprimento. Em forma de onda, no meio de um semi-deserto! A cor da pedra é muito bonita, um misto de castanho, cinzento e laranja. Gostei muito de caminhar na base da onda e também aproveitei para subir ao seu topo (através de umas escadas, que eu não sou maluquinha) e apreciar as vistas amplas. Adorei!
Dispensava as moscas. Tive de tapar a boca e o nariz com um lenço e foi um desafio tirar fotografias a sorrir sem engolir algumas moscas. Mas, felizmente, ainda não foi desta que provei moscas à australiana!

A famosa Wave Rock!

Visitada a onda, regressámos a Perth. Durante a viagem, assistimos ao pôr-do-sol sobre a terra semi-deserta.

De regresso a Perth. Os eucaliptos foram uma constante durante todo o dia.

Finalmente Perth!

22 a 28-02-2020

Andei a dizer que ia começar a minha aventura australiana por Perth e só ao sétimo dia na Austrália é que me instalei em Perth. Mas, como fiz uma série de excursões (escreverei sobre esses destinos em breve), apenas comecei a explorar Perth na terça-feira dia 25.

Gostei muito de Perth! Uma cidade muito moderna, espaçosa, limpa e com espaços verdes muito bonitos.

Tentei aderir a um dos free walking tours promovidos pelo turismo local, mas acertei num dia em que não houve tour. Assim, segui para a Bell Tower, uma torre à beira-rio construída no âmbito do novo milénio, para abrigar sinos reais (isto é, ligados à realeza), vindos da igreja londrina de Saint Martin-in-the-Fields. Durante a visita, pude experimentar tocar alguns dos sinos e parece que tenho jeito para a coisa. A colecção da torre também inclui sinos de outras latitudes, assim como algumas informações sobre como surgiu a necessidade de medir o tempo de modo uniforme à volta do globo – muito interessante!

A moderna Bell Tower (à esquerda).

Depois, passeei pelo centro da cidade, para apreciar a arquitectura, uma mistura de arranha-céus muito modernos com edifícios de estilo vitoriano e jardins em cada canto.

Depois de um almoço asiático, visitei o Perth Mint, local onde chegou a ser cunhada a moeda local (actualmente, apenas cunham moedas, medalhas e outros artigos comemorativos). Apesar de esta ser uma área que não me atrai habitualmente, gostei muito deste museu. A visita incluiu, ainda, uma sessão de fabrico, ao vivo, de um lingote de ouro – incrível! E pode-se tocar e tentar levantar um outro lingote (pesadíssimo!) e saber qual o valor do nosso peso em ouro, de acordo com o preço do ouro nesse dia (digamos que sou uma jóia(zona) de rapariga).

Eu a dar-lhe no levantamento do lingote, no Perth Mint.

Depois desta overdose de ouro, passeei mais um pouco pelo centro da cidade e acabei barricada numa livraria (nada mau!) por causa de uma tromba de água com relâmpagos a acompanhar.

Perth diz ser a capital estadual australiana mais soalheira, mas eu acabei por apanhar alguns dos poucos dias nublados que a cidade tem por ano.

Depois, visitei a biblioteca estadual. Queria aceder à internet, mas acabei por dedicar o meu tempo a uma exposição interessantíssima sobre a migração para a Austrália na sequência da Segunda Guerra Mundial. Parece que o governo australiano da altura lançou uma campanha para atrair emigrantes europeus, inicialmente de países do norte europeu e depois também dos restantes países europeus. Os migrantes eram instalados em edifícios denominados hostels, geralmente instalações militares. Muitos não se adaptaram e regressaram aos países de origem.

Acabei o dia na Yagan Square, uma praça construída em 2018, na zona de Northbridge (perto do meu hostel), que pretende celebrar a cultura e paleta de cores de Western Australia – gostei muito!

Yagan Square em Perth.

Para minha surpresa, o Carnaval não se fez sentir em Perth.

O dia seguinte foi passado em Rockingham mas, após regressar a Perth, segui o conselho de dois outros viajantes com quem me havia cruzado e segui para o Kings Park.

Valeu muito a pena o desvio! Este parque é enorme e, como fica numa colina (Mount Eliza) tem vistas incríveis para a cidade. Este parque alberga também um jardim botânico, contendo apenas espécies de Western Australia, algumas muito exóticas!

Assisti ao pôr-do-sol no parque (apesar de não se ver o sol daquele local) e adorei ver a cidade a iluminar-se! Parecia Singapura ou Nova Iorque.

Perth vista de Kings Park.

O dia seguinte foi passado no Aquarium of Western Australia (AQWA para os amigos) – adorei! Mais sobre este aquário numa outra publicação.

Hoje, sexta-feira, aproveitei a manhã para, finalmente, visitar o Perth Institute of Contemporary Arts (PICA) e a Art Gallery of Western Australia (AGWA), ambos gratuitos.

Pintura em exibição na AGWA.

No PICA, participei numa experiência de realidade virtual muito interessante, mas um pouco agressiva, que me deixou nauseada (ainda não me tinha acontecido!).

Gostei muito das obras de arte (maioritariamente australiana e contemporânea) que vi na AGWA. Infelizmente, não pude dedicar muito tempo a este museu. Mas foi por um excelente motivo: estou no aeroporto de Perth, a caminho de Adelaide, em South Australia!

Adorei Western Australia, foi uma óptima surpresa!

Rottnest Island

20-02-2020

Quando parti para a Austrália, não tinha grandes planos quanto aos locais a visitar. Mas já tinha decidido que iria visitar Rottnest Island, uma ilha que era descrita como paradisíaca no meu guia de viagem. Confere.

Cheguei cedo, pelas 08:30, e a ilha parecia estar ainda a acordar (tal como eu). Entrei no autocarro hop on / hop off que circunda a ilha e saí na segunda paragem, Henrietta Rocks. Era um dos locais recomendados para fazer snorkeling, mas o céu nublado e a temperatura do ar fresca não estavam convidativos. Assim, optei por caminhar ao longo dessa baía (Purpoise Bay) e apreciar a paisagem. Como mais ninguém me seguiu, tive a praia só para mim e soube muito bem.

A bonita Porpoise Bay, em Rottnest Island.

Depois, voltei a entrar no autocarro e saí em Little Salmon Bay, outro dos locais onde era possível praticar snorkeling. Apesar de o céu ainda estar nublado, a temperatura do ar já estava mais agradável e decidi arriscar um mergulho no mar. E fiz muito bem!

Esta foi a segunda vez que pratiquei snorkeling. A primeira foi em Outubro, nas ilhas Gili, na Indonésia, e não fiquei fã. Talvez porque, dessa vez, tenhamos “snorkelado” em alto mar e me fartei de engolir pirolitos. Mas, desta vez, adorei! Era muito fácil aceder aos locais com fauna e flora marítima e a água estava muito calma. Depois, deitei-me na praia (ainda não ao sol) e dormi mais uma das minhas sestas.

Apesar de me estar a saber muito bem estar nesta baía, estava na altura de seguir para a paragem seguinte, para aproveitar ao máximo a ilha. Tinha decidido que queria estar a meio do trajecto circular à volta da ilha pelas 13:30, pelo que apenas iria espreitar Salmon Bay. Mas, quando lá cheguei, o sol brilhava e a paisagem era tão linda, que decidi deixar o alarme do telemóvel de lado e aproveitar. Fiz mais um pouco de snorkeling, passeei à beira-mar e trabalhei para o bronze. Foi mesmo relaxante!

Salmon Bay – merece bem mais do que 15 minutos, certo?

Depois, estava na hora de um pouco de cultura, pelo que saí do autocarro na paragem que dava acesso ao Wadjemup Lighthouse. No caminho para o farol (aguentem pernocas!), cruzei-me finalmente com quokkas, animais marsupiais fofíssimos endémicos desta ilha. São amorosos e muito tranquilos. E parece que ainda por aí um “quokka selfie frenzy“, depois de Rafael Nadal e Roger Federer terem tirado selfies com quokkas por alturas do Australia Open. Aderi, claro.

Chegada ao farol, tive direito a uma visita guiada individual por uma guia voluntária. Já reparei que parece ser prática habitual neste estado que alguns monumentos e serviços de apoio aos turistas sejam geridos por voluntários (geralmente, pessoas mais velhas, possivelmente reformadas). As vistas do topo do farol são muito bonitas.

Quando cheguei à paragem de autocarro para seguir a minha viagem, apercebi-me de que havia deixado uma pequena bolsa no farol. Não continha nada essencial, mas não a quis abandonar. Toca a subir novamente a encosta, entretanto já com temperaturas acima dos 30°C – qual hot yoga, qual quê! Para além do exercício extra, pude voltar a conviver com os queridos quokkas.

Próxima paragem: West End, a extremidade oeste da ilha. Que paisagem selvagem incrível! As águas cristalinas, as falésias recortadas, o vento! E, como bónus, focas (mas muito ao longe)!

Vista do belíssimo West End de Rottnest Island.

Depois, pensei seguir para Geordie Bay, para mais uma sessão de snorkeling, mas como me estava a sentir cansada e também gostava de visitar a povoação, optei por sair sair na última/primeira paragem do autocarro.

Acabei a minha estadia em Rottnest na praia The Basin, com mais uma sessão de snorkeling. A praia é bonita, mas foi aquela de que menos gostei por ser a menos selvagem.

Depois, ala para o ferry, que era o último do dia. É pena não ser possível a quem não fica a dormir na ilha assistir ao pôr-do-sol, que deve ser lindíssimo (deixei esse comentário à empresa dos ferries). Mas tive direito a novo pôr-do-sol na vibrante Fremantle.

Mais um lindíssimo pôr-do-sol sobre o Oceano Índico, em Fremantle.

Hello Freo!

19 a 22-02-2020

Estava na hora de seguir para a minha próxima paragem: Fremantle (Freo para os amigos), ainda nos arredores de Perth.

A primeira impressão foi óptima: cheguei ao final da tarde e, depois de uma paragem técnica num supermercado, fui directa para a praia, para assistir a mais um incrível pôr-do-sol sobre o Oceano Índico. Tive a sorte de estar em Fremantle durante o festival Sculpture at Bathers, durante o qual estão em exibição esculturas muito bonitas e interessantes na Bathers Beach, no centro da cidade. Gostei muito do ambiente nesta zona de Fremantle! E nota-se que se está numa cidade, que até tem universidade.

O meu primeiro pôr-do-sol em Fremantle.

O dia seguinte foi dedicado à ilha Rottnest (escreverei sobre a minha visita a esta ilha numa outra publicação), pelo que só explorei Fremantle na sexta-feira dia 21. Comecei pela Fremantle Prison, que esteve em funcionamento até 1991. E foi isso que me chocou. A prisão tinha bom aspecto para o século XVIII, mas não parecia ter condições adequadas ao século XX.

Depois da prisão, passeei pelas ruas de Fremantle. Comecei pela Cappuccino Strip, uma rua cheia de cafés e restaurantes, muitos italianos (daí a alcunha desta rua), visitei os Fremantle Markets (mercado com comida, roupa, artesanato, souvenirs, etc.) e dormi uma sesta no jardim Esplanade – ser turista cansa! Fui acordada por um pássaro, que decidiu pousar num dos dedos do meu pé esquerdo – que susto!

Algo que já me havia chamado a atenção em Cottesloe é a população de aves desta região. Emitem sons muito diferentes dos das aves portuguesas (por vezes, parecem macacos ou crianças!) e são muito destemidos, aproximando-se muito das pessoas.

Depois deste susto, estava na hora de mais um lindo pôr-do-sol. Desta vez, tive a companhia da minha vizinha de cima no hostel. A seguir, jantámos un tradicional prato de fish and chips num restaurante em cima do mar.

No dia seguinte, visitei o Fremantle Arts Centre. Adorei! Bom ambiente e duas exposições muito interessantes de pintores aborígenes. Um dos meus objectivos durante a minha estadia na Austrália é conhecer a cultura aborígene e estas exposições foram uma excelente introdução a esta cultura milenar.

Pintura do artista aborígene John Prince Siddon.

Segui depois para a Round House, o edifício público mais antigo de Fremantle (data do século XVIII). Junto à Round House, havia uma série de galerias de arte (Fremantle é uma cidade muito artística). A minha preferida foi a galeria do fotógrafo Glen Cowans, que se especializa em fotografia subaquática. Adorei a galeria! As fotografias deste artista são lindíssimas e estavam sempre acompanhadas de legendas pormenorizadas. Adorava ter algumas das fotografias dele! Estive quase para comprar, mas pareceu-me pouco sensato comprar algo frágil no início da viagem. Mas cedi parcialmente à tentação e comprei um postal e um anel – a esposa do fotógrafo cria bijutaria com reproduções de fotografias do marido.

A minha última paragem em Fremantle foi South Beach, para mais uma sessão de bronze e mergulhos. Next stop: Perth!

Fremantle é conhecida por este estilo arquitectónico.

Cottesloe

16 a 19-02-2020

Cottesloe é uma zona balnear, pelo que me dediquei ao bronze e aos mergulhos no Oceano Índico durante a minha estadia. A água era um pouco menos quente do que estava à espera (mas, comparada com Caminha, a minha praia de eleição, a água escaldava) e a praia estava limpíssima! Não vi um único resíduo durante os quatro dias de praia que lá fiz e os pores-do-sol foram um dos pontos altos da minha estadia – lindíssimos!

Praia de North Cottesloe.

Possivelmente, o pôr-do-sol mais bonito da minha vida.

Após o meu último pôr-do-sol em Cottesloe, encontrei um telemóvel no parque junto à praia. Aguardei um pouco, a ver se o dono aparecia, mas nada. Ainda pensei deixá-lo lá ficar, mas pensei que, se tivesse perdido o meu telemóvel, gostaria que o entregassem numa esquadra de polícia. Assim, deixei ficar um recado sobre a mesa onde tinha encontrado o telemóvel e dirigi-me a um restaurante, onde fui informada de que a esquadra de polícia de Cottesloe ficava a cerca de 20-30 minutos a pé. Tive um pressentimento de que o dono do telemóvel apareceria em breve (no fundo, tive preguiça). E decidi ir comprar um gelado. Estava a sair da gelataria e vejo alguém a pegar no meu recado. Corri para lá e achei que aquele jovem atarantado era claramente o dono do telemóvel. Fui salva pelo gelado! (E ele também, que não devia dar-lhe jeito ter de ir buscar o aparelho à esquadra.)

Welcome to Australia!

15-02-2020

Ao quinto dia de viagem, cheguei à Austrália. Aterrei em Perth ao final da tarde e segui de autocarro para Cottesloe, um subúrbio balnear de Perth. O céu estava cinzento e chuviscava, mas deu para espreitar o Oceano Índico. Jantei um all day breakfast de estilo inglês e regressei ao hostel depois de um curto passeio à beira-mar.

O meu primeiro vislumbre do Oceano Índico, numa ventosa noite de fim de Verão.

Porquê começar a minha viagem pela Austrália em Cottesloe? Quando decidi viajar, quis fazê-lo de modo diferente do meu habitual, com mais flexibilidade. Assim, não fiz grandes preparativos ou leituras antes da viagem, nem tenho ainda um itinerário definido. Quando pesquisei voos, Perth era o destino mais barato e o voo mais curto a partir de Singapura.

Como boa amante de praia que sou, achei que faria todo o sentido iniciar a minha viagem australiana com uns merecidos dias de praia. Escolhi Cottesloe por ser uma zona balnear procurada por famílias com crianças. Há que ter em conta que há tubarões e outras criaturas perigosas nas costas australianas. De acordo com um amigo que por cá mora, um bom truque é entrar no mar nas zonas onde haja crianças (assumindo que os pais gostam delas). Entretanto, o meu Pai acrescentou que deveria estar atenta à nacionalidade das crianças/pais, não vá eu estar a seguir uma família estrangeira que conhece tão bem as águas australianas como eu.

Daí a minha decisão de começar por Cottesloe – quero regressar inteira a Portugal!

O meu segundo dia em Singapura

14-02-2020

Sou fã de free walking tours. Queria ter visitado o bairro Little India neste moldes mas, como não encontrei nenhum tour disponível, optei por explorar a zona malaia de Singapura, Kampong Glam.

Esta zona acaba por não ser tão monumental como Chinatown, mas o tour foi extremamente informativo e fiquei a saber mais sobre a sociedade e a organização do estado de Singapura. Na zona em redor da Sultan Mosque, os edifícios são muito coloridos, muitas paredes estão decoradas com street art e respira-se um ambiente diferente, que me fez lembrar o Médio Oriente, região que me fascina.

Depois do tour, segui a sugestão do Simon, o guia, e subi ao topo de um hotel na zona, para ter uma perspectiva de 360 graus sobre a cidade. Senti que, volvidas mais de 24 horas, eu ainda não estava orientada em Singapura – nem sabia bem o que estava a ver! Assim, decidi que deixaria Little India para uma próxima visita e que me iria dedicar à zona ribeirinha de Singapura.

Mas há que ter as prioridades certas: estava na hora do almoço! Deliciei-me com uma dose gigante de chicken murtabak no restaurante malaio Zam Zam. Até tive de ficar sentada durante algum tempo depois de comer, tal o tamanho da dose. Já recomposta, voltei a passear por este bairro, para rever os edifícios coloridos e os murais.

Algures em Kampong Glam.

Depois, explorei uma zona de Singapura que me pareceu pouco turística, para visitar as Peranakan terrace houses, edifícios residenciais tradicionais. São muito bonitos e valem o desvio, apesar do escaldão e desidratação ligeiros – estava muuuito calor!

As bonitas Peranakan terrace houses.

Já recuperada, dirigi-me à zona dos cais de Singapura, a Quays area, para um passeio de barco – adorei! Foi óptimo ver a cidade a partir da água e começar a criar um mapa mental.

Como ainda era cedo, decidi voltar ao Gardens by the Bay, para assistir novamente ao espectáculo multimédia, que é gratuito. Tive a bonita ideia de ir a pé. Mas valeu a pena – aquelas luzes são mágicas!

Lago em Gardens by the Bay.

Chegada a hora do jantar, estava na altura de retomar o meu circuito pelos hawker centres de Singapura. Voltei ao Maxwell Centre e comi um delicioso popya, uma espécie de crepe.

De regresso ao hostel, fui abordada por uma senhora a pedir-me informações. Após 48 horas em Singapura, consegui ajudá-la e fiquei a saber que ela vem a Portugal com frequência, fala algumas frases em português e está a planear uma viagem a Austrália em 2021! Que aleatório!

Até breve Singapura!

O meu primeiro dia em Singapura

13-02-2020

Dediquei parte do meu primeiro dia em Singapura a explorar o bairro de Chinatown. Comecei o dia com um free walking tour muito informativo. Depois, visitei o lindíssimo Buda Tooth Relic Temple. Tive direito a medição da temperatura frontal (na testa) por causa da epidemia de Coronavírus (passei no teste, a minha febre era só interior). Adorei a decoração do templo, muito intrincada e em tons dourados, e ainda tive como bónus poder assistir a parte de uma cerimónia.

Overdose de budas no Buda Tooth Relic Temple.

Depois de uma manhã preenchida, tive direito a uma refeição distinguida com uma estrela Michelin, por menos de 3 euros – frango com molho de soja, num outro hawker centre, o Chinatown Complex! E pergunto eu: como se come frango com pauzinhos? Espero não ter estragado o almoço a nenhum local, dada a minha falta de jeito para o manuseio destes talheres.

A minha primeira refeição Michelin, na bancada Hawker Chan!

De estômago aconchegado, segui para o Chinatown Heritage Centre e novo controlo da temperatura frontal. Gostei muito deste museu! Fiquei a saber mais sobre a história e tradições da comunidade chinesa em Singapura.

Deixei para o final do dia a única atracção de Singapura da qual já tinha ouvido falar: Gardens by the Bay, um parque lindíssimo. Comecei pela estufa Cloud Forest e, depois, segui para o Flower Dome. Por último, passei pelo Supertree Grove, para um espectáculo de luz e som – adorei, adorei, adorei! Foi mágico!

A secção Supertree Grove do Gardens by the Bay.

Depois do espectáculo, continuei o meu roteiro pelos hawker centres de Singapura. O eleito foi Gluttons Bay e jantei bolo de cenoura. Mas trata-se de um bolo matreiro, pois não leva cenoura e não é um bolo. Mas soube-me tão bem como uma fatia de bolo de cenoura (um dos meus bolos preferidos).

Depois do jantar, caminhei junto à água em Marina Bay e apreciei os arranha-céus iluminados. Fez-me lembrar Nova Iorque.

Marina Bay.

A caminho da Austrália

Quando reservei o meu voo, tinha receio de como iria reagir a uma viagem tão longa – sou uma idosa presa no corpo de uma jovem de 33 anos.

Singapura parecia ser um destino conveniente para uma escala prolongada a caminho do hemisfério sul. Sabia muito pouco sobre esta cidade-estado, mas decidi seguir o conselho da minha irmã e dedicar-lhe algum tempo.

Primeira impressão: calor e humidade! Já não estava na Europa. Cheguei ao final da tarde e, depois de me instalar, fui jantar ao Maxwell Food Centre, um mercado com bancas de comida de rua, também conhecido localmente como hawker centre. Comi tofu e pau e estavam deliciosos! A comida foi uma das excelentes surpresas desta estadia em Singapura. Como fiquei instalada no bairro de Chinatown, ainda tive direito a apreciar as decorações alusivas ao Ano Novo Chinês.

Feliz ano do Rato!

Que blog é este?

Tinha um emprego estável desde há alguns anos, do qual gostava muito, até ter deixado de gostar. Despedi-me em Agosto de 2019, para fazer um período sabático.

Quando ouvia falar em ano sabático (gap year), pensava que o cerne era viajar. Até que conheci uma colega de profissão que estava a fazer uma pausa na carreira e cujo foco era o seu enriquecimento cultural. Adorei esta perspectiva!

Até recentemente, o meu período sabático tem sido dedicado a reflectir, a estar mais presente e a aumentar o meu consumo cultural. Mas já era tempo de acrescentar uma outra valência a esta etapa. Parti para a Austrália no dia 11 de Fevereiro de 2020.

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