23-02-2020
No domingo dia 23 de Fevereiro, participei na minha primeira excursão na Austrália. Estava na hora de experienciar o interior australiano, o chamado outback. A excursão tinha como destino Wave Rock.
A primeira paragem foi a cidade de York, cuja rua central está ladeada por bonitos edifícios de traça colonial.

A seguir, parámos no cemitério canino de Corrigin. Foi interessante ver as campas, algumas muito elaboradas. E pareceu-me ver por lá uma campa humana (o que achei um pouco sinistro).

A entrada do cemitério canino de Corrigin. 
A campa mista, humano-canina.
A última paragem da manhã foi em Hippo’s Yawn, uma formação rochosa que se assemelha à cabeça de um hipopótamo bocejante.

A seguir ao almoço, demos um salto a um parque de vida selvagem fracote, mas onde vi um canguru e um emu (a versão australiana das avestruzes) pela primeira vez! E assisti a um episódio caricato e ilustrativo do sentido de humor australiano. Nesse parque, os animais estavam em recintos rodeados por cercas. Uma dessas cercas tinha uma porta, onde estava afixada uma placa a convidar os visitantes a entrar. Desconfiei e segui em frente. Mas uma dupla de turistas sul-coreanas do meu grupo arriscou. Mal elas entraram no recinto, veio o emu residente a correr na direcção delas! Elas gritaram altíssimo e, com a atrapalhação, nem conseguiam abrir a porta! O emu parecia surpreendido com a gritaria. Eu queria ajudar, mas congelei. Mas elas lá conseguiram abrir a porta e demos uma boa risada juntas.
Depois deste pico de adrenalina, seguimos para Mulka’s Cave, uma gruta associada a uma lenda aborígene muito interessante. Reza esta lenda que dois aborígenes de tribos entre as quais não era suposto haver uniões ter-se-ão apaixonado e tido um filho, Mulka. Como era fruto de um amor proibido, Mulka nasceu estrábico e gigante e foi ostracizado e exilado numa gruta (a actual Mulka’s Cave). Mulka tornou-se canibal e comia as crianças que se aproximassem da sua gruta. A sua mãe censurou-o pelo seu comportamento e Mulka assassinou-a. Os aldeões perseguiram-no e mataram-no, tendo deixado o cadáver exposto, para servir de aviso a outros infractores.
Junto à gruta, era explicado que os povos aborígenes têm uma rica tradição oral de storytelling. Esta história teria como objectivos reforçar a importância de não ter relacionamentos fora dos grupos estabelecidos (sob pena de os frutos desses relacionamentos terem malformações e/ou comportamentos desviantes) e explicar às crianças que não se devem afastar dos adultos (caso contrário, poderão ser atacadas).
Depois da gruta, chegámos finalmente à famosa Wave Rock. Não desapontou! Trata-se de uma formação rochosa esculpida pela natureza com cerca de 15 metros de altura e 110 metros de comprimento. Em forma de onda, no meio de um semi-deserto! A cor da pedra é muito bonita, um misto de castanho, cinzento e laranja. Gostei muito de caminhar na base da onda e também aproveitei para subir ao seu topo (através de umas escadas, que eu não sou maluquinha) e apreciar as vistas amplas. Adorei!
Dispensava as moscas. Tive de tapar a boca e o nariz com um lenço e foi um desafio tirar fotografias a sorrir sem engolir algumas moscas. Mas, felizmente, ainda não foi desta que provei moscas à australiana!

Visitada a onda, regressámos a Perth. Durante a viagem, assistimos ao pôr-do-sol sobre a terra semi-deserta.




























